O Dia Internacional do Enfermeiro celebra-se todos os anos a 12 de maio, data do nascimento de Florence Nightingale. Em 2026, o tema anunciado pelo ICN é “Our Nurses. Our Future. Empowered Nurses Save Lives”, destacando que enfermeiros valorizados, protegidos e com autonomia salvam vidas.

Florence Nightingale é considerada a fundadora da Enfermagem Moderna. A sua importância está ligada a vários contributos fundamentais:

Ela ajudou a transformar a enfermagem numa profissão organizada, com base em conhecimento, disciplina, observação e formação. Defendeu que a enfermagem não era apenas uma extensão da medicina, mas uma área com saber próprio, centrada na pessoa, no ambiente, na higiene, na ventilação, na alimentação e nas condições necessárias para a recuperação do doente.

Mas existiram outras protagonistas mais discretas

Rufaidah bint Sa’ad

É considerada uma das primeiras enfermeiras do mundo islâmico. Prestou cuidados a doentes e feridos, liderou grupos de enfermeiras voluntárias em contexto de guerra e valorizou a prevenção da doença e a educação para a saúde, destacando-se na saúde comunitária, na formação e na criação de princípios éticos para a prática.

Elizabeth Fry

Foi uma reformadora social inglesa, ligada à melhoria das condições das prisões, especialmente das mulheres presas e das crianças. Mais tarde, envolveu-se na organização de cuidados domiciliários e na formação de enfermeiras. Criou uma instituição de “Irmãs Enfermeiras” e defendeu que as enfermeiras deveriam ser selecionadas, formadas e preparadas para cuidar das necessidades físicas e espirituais dos doentes.

Mary Seacole

Nasceu na Jamaica e destacou-se como enfermeira, cuidadora e conhecedora de práticas de medicina tradicional. Atuou em surtos de cólera e febre amarela e, durante a Guerra da Crimeia, cuidou de soldados feridos, muitas vezes no campo de batalha. Apesar de ter sido rejeitada inicialmente por causa da discriminação racial, foi por iniciativa própria para a Crimeia e ficou conhecida como “Mãe Seacole”, pela sua coragem e compaixão.

Ethel Gordon Fenwick

Teve um papel decisivo na profissionalização da enfermagem. Lutou pelo reconhecimento legal da profissão, pela formação padronizada e pelo registo oficial das enfermeiras, precursoras das ordens profissionais. Fundou a British Nurses Association e esteve ligada à criação do International Council of Nurses.

O Dia Internacional do Enfermeiro celebra a ciência, a humanidade, a liderança e o compromisso social da enfermagem. É um dia para assinalar a proximidade, o profissionalismo e a compaixão. Parafraseando Margarida Vieira, a compaixão é um construto central em Enfermagem quando o Enfermeiro reconhece no outro um sofredor, sendo que não sofre aquele que apenas é afetado pela dor física, mas todo aquele a quem o sofrimento afeta a vontade, a capacidade e o conhecimento com repercussões na integridade e identidade do seu ser.

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